terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Dança Materna






  • Hey, pessoal!
  • Hoje vim aqui contar para vocês uma experiência nova e apaixonante que tive o privilégio de viver com a Alice na última semana de janeiro, quando ela completou 15 meses.
  • A chegada do bebê pode trazer impactos na vida amorosa, social e profissional da mulher. A sensação que ela tem, é que a vida virou de cabeça para baixo. A mulher começa a viver um dilema entre querer ser a melhor mãe do mundo, a esposa exemplar e ainda a mulher vaidosa (que ficou no tempo). E se apavora com o turbilhão de novidades que a vida a está presenteando. Carrega no peito e no colo todo o amor que existe no mundo. Quer ser a melhor e se depara com novos gostos e alegrias, como ver um sorriso banguela, dar um cheirinho, ter um aconchego, dar e receber um carinho do ser que chegou para transformar a vida e torna-la uma nova mulher, mãe.
  • Sempre em busca de artifícios para manter a minha vida em harmonia com todas essas mulheres dentro de mim (a profissional, a mulher e a mãe), tive a sorte de conhecer uma pessoa incrível e uma iniciativa maravilhosa para nós e nossos bebês e quero compartilhar esse presente com vocês, meus queridos leitores. Na última semana de janeiro, fui com a Alice em uma aula da Dança Materna, ministrada pela professora Tatiane Trovatti. Me encantei com todos os detalhes e vou contar como foi essa experiência inesquecível! Desde já agradeço a Amarelinha Fotografia por mais essa parceria maravilhosa, por estar presente registrando brilhantemente todos os momentos emocionantes vividos nesta aula. Agradeço também a todas as mamães por me permitirem compartilhar aqui no blog as imagens lindas entre vocês e seus bebês em um momento mágico entre mãe e filho(a). 
  • A dança liberta, e já ouvi algumas pessoas dizerem que a dança é a expressão da alma. Pensar na dança como uma forma de trabalhar o corpo e alma da mulher após ter um bebê é extremamente saudável e recomendável. Quando a mulher engravida passa por uma série de mudanças. Algumas não engordam nada, e outras engordam tudo! Ocorre uma explosão de hormônios deixando a mulher sensível a tudo. 
  • Depois que o bebê nasce, algumas dores no corpo podem começar a surgir, como por exemplo, nas costas, na lombar, nas pernas e pés. Alguns complexos ficam mais evidentes e a mente fragilizada. Então a mulher precisa de cuidados especiais, pois uma mãe feliz, disposta e saudável é sinônimo de um bebê feliz, disposto e saudável. A mãe dá ao bebê aquilo que ela tem, por isso a importância de preservar seu bem estar. Seja no humor, na disposição, na paciência, no amor, em tudo! 
  • Sabendo dos muitos benefícios que a dança pode trazer para a vida de uma pessoa, imagina unir esse benefício físico ao emocional trazendo ao bebê noções de espaço, movimento, ritmo e auxílio na formação de um ser que aprenderá a expressar suas emoções e sentimentos? Além do elo entre mãe e bebê que torna-se ainda mais forte. 
  • Dentro desse contexto, me vi numa sala com 10 mulheres, que se olhavam, sorriam, se abraçavam, falavam de suas vidas, compartilhavam da mesma deliciosa loucura da vida materna. Entre sorrisos e gestos vi bebês, ouvi sons, vi cores e amor. Percebi que tudo que uma mãe precisa é de um momento de paz e equilíbrio, físico, mental e espiritual porque assim é possível transpor as dificuldades e viver a maternidade em sua plenitude de sonhos e realidades. 
  • Foi assim que passei algumas horas em mais um dia de mãe com Alice. Me surpreendi quando cheguei a pensar que a aula seria apenas colocar o bebê no sling e começar a bailar salão a dentro. Vi que era muito mais do que isso. Envolvia corpo, mente e amor. Amor a mim mesma e a minha bebê. 
  • O Lugar escolhido foi a Rampa Lugar de Criação, fica no bairro de Copacabana. Verde por todo lado, com clima de paz e calmaria no meio de uma cidade borbulhante como o Rio de Janeiro. A madeira pelo chão, o piano ao fundo, as janelas grandes abertas, o teto alto com acabamento em madeira, tudo em uma combinação perfeita que dava um clima de tranquilidade e serenidade. 
  • A aula começou com exercícios de auto massagem, música suave e delicada e em todos os movimentos buscava o relaxamento e o equilíbrio. Me senti alongada e renovada com cada exercício que fiz.















  • Após todo o relaxamento, começou um momento ainda mais especial, onde foram realizadas massagens no bebê, carinhos e beijinhos também. Nessa hora passou uma retrospectiva na minha mente de tudo que passou e todos os momentos deliciosos com minha bebê, e eu não me lembrava de nada que fosse negativo. Só agradecia a Deus por permitir viver essa experiência de entrega de mãe e filha. Olho no olho, toque, carinho, sorriso e lágrimas de amor.










    Depois de relaxarmos, nos conhecermos e exercermos a conexão com nossos bebês, chega a hora de colocar o bebê no sling e fazer movimentos de dança suave. Pra lá e pra cá, num compasso gostoso demais, bebês interagindo e curtindo esse momento em que "voltam" a pertencer ao corpo da mãe dentro do sling. Sons de alegria se espalham pelo salão, fitas coloridas alegram ainda mais o ambiente, passos criativos das mamães, palavras de carinho, de ânimo e abraços. Abraços de quem ja viveu e vive os mesmos conflitos e que está ali do seu lado dizendo para você ser forte, que não é fácil, mas que tudo vale a pena. E de novo a emoção fala alto e é impossível conter as lágrimas.






















    Terminamos a aula com lágrimas nos olhos, bebês dormindo tranquilos, felizes, relaxadas, libertas, renovadas e com mais amor no coração. Agradecidas a Deus pela vida, pelo privilégio de viver a experiência de ser mãe. Deixamos todo stress do dia a dia para trás, e saímos de lá com as forças renovadas para vencermos essa gincana que é a vida de mãe.











    Confesso que eu gostaria de ter conhecido a Dança Materna quando estava com Alice recém nascida, não deixaria de frequentar a nenhuma aula.
    Alice curtiu tudo, fez a baguncinha dela, dançou, mexeu nas fitas, nas bolinhas relaxantes e roubou brinquedinhos de outros bebês e me deixou envergonhada. Mas, sei que ela curtiu tudo! Uma bebê andante, no dia em que completou 15 meses, idade limite para a realização das aulas, aproveitou tudo.
    E nós duas escrevemos mais um capítulo do nosso livro de memórias e aventuras.





    Conversei com a professora Tatiane para conhecer sobre a origem da Dança Materna. Compartilho com vocês um pouquinho da nossa conversa:
    1- Há quanto tempo existe a Dança Materna ? Como se dá a formação dos professores? Em quais estados as mamães podem procurar as aulas?
    "A Dança Materna foi criada há seis anos, em 2008, pela bailarina Tatiana Tardioli, de São Paulo. Preciso falar um pouquinho sobre o que é a Dança Materna. Não tem nada a ver com colocar o bebê no sling e sair dançando. É um método pioneiro no Brasil que preza por uma atuação fundamentada em evidências científicas no que se refere à gravidez, parto, pós-parto e às necessidades físicas e emocionais de mães e bebês, em cada uma destas fases, compreendendo todo o período da gravidez até os três anos do bebê. Tem como princípios éticos a escuta atenta e o respeito à diversidade de experiências vividas pelas mulheres e o acolhimento livre de julgamentos e traz como fundamento o exercício da maternidade ativa e a promoção do empoderamento das mulheres, no que se refere às suas vidas, ao seu corpo e à criação de seus filhos. Isso é tão fundamental e tantas vezes deixado de lado! Nunca propondo fórmulas, mas sempre ouvindo o que é trazido e descortinando outros horizontes possíveis. A Dança Materna traz um trabalho técnico de adequação e apoio nos movimentos, que faz da experiência de dançar grávida ou com o bebê nascido, um momento seguro e saudável, entre mulheres que estão atravessando a mesma fase da vida.
    Em 2008, a Tatiana, que atua permanentemente em São Paulo e pontualmente em outros locais, começou a escolher e a formar profissionais interessadas em atuar em outras cidades do Brasil, licenciadas pela Dança Materna. Além dela, já somos doze de norte a sul do Brasil trabalhando e é ela quem forma, pessoalmente, as professoras. Somos super unidas, como uma família mesmo, nos falamos diariamente e todas sabemos o que está acontecendo em cada cidade. Estamos em constante formação, nunca paramos de estudar e pesquisar. Por enquanto a Dança Materna está em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Niterói, em Resende, Rio Pardo, Campo Grande, João Pessoa, Catalão, Assis Chateubriand, Palotina, Nova Friburgo, Toledo, Manaus, Natal e logo mais em São Caetano do Sul. No Rio eu dou aula em Botafogo, Flamengo, Copacabana e no Leblon. Para saber melhor todas as informações, as mães interessadas podem dar uma olhada no nosso site (www.dancamaterna.com.br) e também acompanhar as novidades."
    2- Poderia falar um pouco sobre a sua experiência profissional e o que a levou a trabalhar com a Dança Materna?
    "Comecei a trabalhar como atriz aos treze anos de idade, em São Paulo, sempre acreditei no poder de transformação da arte e eu queria mudar o mundo! Me mudei para o Rio e comecei a frequentar as aulas de Conscientização do Movimento com a Angel Vianna e isso me abriu a cabeça. Passei a ver meu corpo de uma maneira diferente e me interessei em estudar anatomia e fisiologia. Comecei com a Massoterapia Oriental mas queria me aprofundar muito mais. Saí do Brasil, trabalhei como preparadora corporal nos Estados Unidos e depois fui para a Espanha, Madri, para estudar Didática da Expressão Corporal com uns professores muito respeitados na Europa. Fiz uma formação de quatro anos e depois uma especialização. Nessa época dava aulas de Expressão Corporal para crianças e comecei a sentir uma loucura por engravidar. E aí descobri o parto natural e a humanização no nascimento através de uma prima do meu marido. Um novo mundo se abriu outra vez! Muitas leituras, muitos encontros, muitas perguntas, muitos hormônios! Apaixonada pelo movimento, decidi estudar, ainda em Madri, Terapia Ocupacional e fiz toda minha formação direcionada ao trabalho do terapeuta ocupacional na gravidez, parto e puerpério. Foi nessa época que a Tatiana Tardioli criou a Dança Materna e eu comecei a acompanhá-la pela internet e, num congresso que participei, até mostrei o trabalho dela mesmo sem ela saber disso, ressaltando a importância de uma assistência assim nesses períodos da vida da mulher. Engravidei da minha filha e tive a gravidez e o parto que sempre quis e para os quais me preparei. Fiz muita aula de yoga na gravidez, como um grande reencontro, e depois que minha filha nasceu eu me especializei em Yoga Pré-Natal, numa longa formação, e Yoga para crianças e famílias. Comecei então a dar aulas de Yoga e Movimento para Gestantes em Madri e depois para as mães já com seus bebês, integrando todos os meus estudos e pesquisas. Fiz o curso Paramana Doula, com Michel Odent e Liliana Lammers, para mergulhar de vez nesse mundo apaixonante do nascimento. De volta ao Brasil, depois de oito anos fora, decidi me aprofundar no trabalho com mães e bebês e aí me formei na Dança Materna, por acreditar há muito tempo nesse trabalho tão bonito e sério, pelo qual sou completamente apaixonada. Dei muitas voltas para chegar à Dança Materna, todas super importantes. Uso tudo isso nas minhas aulas, inclusive minha experiência como mãe."
    3- Qual o objetivo principal das aulas? O que você pensa quando vai ministrar uma aula? Qual o seu maior desejo?
    "O meu objetivo principal é que as mães fiquem bem. É abraçá-las nesse novo papel de mãe. O puerpério é um dos tesouros da vida da mulher mas é extremamente difícil de atravessar e dura muito tempo, em torno de dois anos. Pode ser uma jóia, mas para isso a mulher tem que se sentir acompanhada e tem que se cuidar. Precisa se sentir forte para peitar suas escolhas mesmo com tantos palpites que vem de todos os lados e acreditar que está realmente fazendo o melhor para o seu bebê. Eu estava sozinha com meu marido em Madri no meu puerpério então sei bem como é. Tenho muitas alunas de outras cidades e também de fora do Brasil e estar entre mulheres que estão vivendo o mesmo é fundamental.
    Trabalhamos o corpo, alongamos e fortalecemos, reencontramos nosso equilíbrio, tomamos consciência desse corpo que está se transformando há tantos meses e tão rapidamente. Trabalhamos também o mútuo conhecimento entre mãe e filho, o vínculo, brincamos com o bebê e com os outros bebês e dançamos abraçadinhos, os bebês relaxam no peito da mãe, vivenciam aquele mesmo movimento que sentiam todo o tempo quando estavam naquele paraíso que é o útero. Lembrei que útero em chinês é "palácio do filho", olha que bonito!
    Meu maior desejo é que mãe e filho estejam bem e construam umas bases sólidas nessa relação, que se conheçam bem e se divirtam juntos desde sempre e para sempre."


    Termino esse post dizendo a todas as leitoras que se puderem, não percam a oportunidade de viver essa experiência maravilhosa. Vocês vão amar.
    Aproveito para deixar um pensamento da querida Tatiane Trovatti, que representa tudo que foi dito aqui sobre a Dança Materna.
    "Para mim é emoção, é alegria, é movimento. São lágrimas de todos os sentimentos possíveis, juntos e misturados. É saber que todas somos maravilhosamente iguais. É alimentar o bebê alimentando a mãe. É respeito, é escuta, é não-julgamento. É encontrar saídas geniais juntas. É compartilhar, é aprender e ensinar. Troca de energias, abraços e gratidão. Maternar sem medo de ser feliz! Dançar sua própria dança e todas as danças de todas as mulheres. Risadas de bebês, fraldas, dentinhos, leite. Vínculo, carinho, brincadeira. Arte, auto-conhecimento, sorrisos, músicas e mil histórias. Feminismo, empoderamento, amor. Amor. E amor. "
    ( Tatiane Trovatti)

  • Espero que tenham curtido e até o próximo pessoal!
  • Pri